segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Adventista

Eu sei que ninguém peguntou, mas vou dizer logo: o mundo não acaba em 21 de dezembro desse ano. Pode me cobrar depois. Não que a minha opinião valha alguma coisa nesse assunto, porque definitivamente sou o que a maioria das pessoas consideram um cético.
Pra começar, não acredito em Deus, em Cristo, em Alá, em Buda, Moisés, Maomé ou Zoroastro. Não acredito em fantasma, em espírito evoluído, em caboclo, em fenômeno paranormal, em duende, em fada, muito menos na Mãe Diná ou no Walter Mercado. Não acredito em horóscopo, em vibração positiva, em mau olhado, em inferno astral, em cueca da sorte, nem sequer em fitinha do bonfim, e definitivamente não acredito que depois de morrer você fica flutuando em um mundo alternativo etéreo, numa cidade toda branquinha que parece um alphaville ou cosa que o valha.   
Não acredito em ketchup na pizza, em corrente de internet, em torcer pra mais de um time de futebol, em comer sushi de garfo, em cerveja com gelo, em mulher com gogó, em e-mail de banco pedindo pra atualizar o cadastro, em sertanejo ou forró universitário, em leite com manga, e principalmente que barulhento não fede.
Se alguém me perguntar (eu sei que ninguém vai, mas é uma consideração retorica necessária no contexto) acredito sim em algumas coisas. Creio, por exemplo, no Tempo e no Universo, mas essas duas forças, exógenas por essência, têm peplo ser humano a mesma consideração que nós temos para os parasitas do oxiurus, por exemplo. Para o Tempo e o Universo, em sua marcha inexorável, a vontade ou conveniência de um ser humano têm o mesmo peso que a vontade ou conveniência de um prego enferrujado ou de um punhado de poeira cósmica. Eu acho lindo isso, porque na minha escala de valores a sequência é mais ou menos a mesma, talvez com o prego numa posição um pouco mais privilegiada.
O único conceito intrinsecamente humano para o qual faço essa pequena (enorme) concessão é o amor (ai que fofo ele). Até porque nunca neguei minha condição de ser humano e acredito como Platão, que o amor é tão certo quanto a morte para qualquer um de nós. Se você morreu ou acha que vai morrer sem amar é um cadáver extremamente jovem ou uma pedra. O amor sim, nos torna e nos considera especiais, porque independentemente de seu objetivo, ele é nosso e universal, é pessoal e coletivo. Não há dois amores iguais, mas podemos identificar facilmente um idiota apaixonado, baseando-se simplesmente em nossas pequenas idiotices quando vítimas desse sentimento.
Dá sim pra acreditar no amor, porque ele nos exime e nos pune de forma impassível, e assim se equivale ao Tempo e ao Universo, mesmo tendo nascido dentro do nosso peito. Mas o melhor do amor é que chega e nos abandona (o amor não morre, já dizia Paulinho da Viola) quando menos esperamos. E de vez em quando até volta, quem sabe.



2 comentários:

Mistérios, Magias ou Milagres. disse...

Que bom que voce não acredita, assim não será enganado por esses falsos profetas e pastores enchendo seus bolsos de dinheiro.
Eu acredito! Que somos um Universo vivendo dentro de outro Universo.
Acredito que somos um Clone do Universo. Exemplo: Nossas Veias e Artérias representam os Rios e Mares. Nossos Ossos as pedras. Os nossos Buracos as Cavernas. A Cabeça o Globo Terrestre. Cabelos as Florestas, os Sentimentos são iguais o clima, raiva tempestade furacao, frio calor é igual nossa temperatura alta e baixa. E assim por diante.
Temos muitos habitabtes vivendo em nossa pele os micribios etc.
Somos um Universo criando outro Universo. Adorei seu blog. Abraços Heudes.

Jorge Ramiro disse...

O importante agora é aproveitar o momento. Por exemplo, eu gosto de comer muito. Então eu vou a todos os restaurantes em alphaville e vou pedir o prato mais caro que eles têm.