domingo, 29 de abril de 2012

As Oito Mais

Dia desses, na casa de um amigo, ao falar de gostos musicais, tive que aturar esse cara interromper a conversa pra me fazer ouvir uma apresentação da Adele ao vivo não sei onde, que a plateia canta junto e tal, aquelas coisas de sempre. Segundo esse amigo, ele achava essa música tão linda, mas tão linda, que o fazia chorar sempre que ouvia. Depois de zombar do pobre homem (homem lato sensu, o cara chora ouvindo Adele), alguns confessaram que havia músicas que produziam o mesmo efeito sobre eles. Alguém, obviamente, sugeriu "Canção da América" do Milton, outros falaram em "Starway to Heaven" do Led Zeppelin, e por aí vai.
Eu mesmo elenquei uma ou duas que lembrei na hora, mas depois, indo pra casa, a lista foi aumentando e quando percebi já dava pra fazer um set list só para pessoas dispostas a cortar os pulsos - afinal de contas, eu sou chorão de lacrimejar vendo Simpsons. Como listas são sempre uma boa pedida quando a gente fica sem assunto no blogue, resolvi colocar essa aqui, com os links, quem sabe alguém se identifica. São músicas que me fazem ou já me fizeram chorar muito, se você estiver lendo esse post, coloca nos comentários pelo menos uma música sua, quem sabe eu acrescento depois numa futura lista. Não precisa ter vergonha, se eu não te sacanear por isso, provavelmente te sacanearia por outro motivo.


1 - Edith Piaf - Non Je Ne Regrette Rien.
2 - Billie Holiday - All of Me.
3 - Lupicínio Rodrigues - Nervos de Aço.
5 - Jeff Buckley - Lilac Wine.
6 - Tom Jobim - Você Vai Ver.
7 - Elis Regina - Atrás da Porta.
8 - Cartola - Sim.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

As coisas que você sabe sobre mim

Já reparou que a galera só se marca no foursquare quando está em algum restaurante chique ou viajando pro exterior? Já viu alguém se marcar na Tesoura de Ouro Confecções ou comprando Tampax na Drogasil?


Quantas vezes alguém já postou no tuíter: "Tomando um vinhozinho com os amigos e ouvindo Norah Jones" ou "Uisquinho e Miles Davis na vitrola". Todo mundo é cool, todo mundo é descolado, sozinho ou em grupo. Nego come miojo com sardinha numa quitinete em Samambaia e arrota pasta com frutos do mar na internet.




Obviamente que é perfeitamente possível fazer isso num blogue. Mesmo isso aqui sendo um espaço onde eu faço minha terapia particular (por isso que não ando atualizando, tou sem saco pra fazer terapia), é praticamente impossível ser completamente transparente nas nossas confissões. Digamos que eu fosse um psicopata estuprador molestador de criancinhas inocentes, seria pouco provável que eu descrevesse as minhas experiências e sensações aqui no blogue, a não ser que eu tivesse aquelas loucuras de querer ser pego e coisa e tal. Mas é por isso que as pessoas que me leem aqui (todas as três) às vezes têm a impressão de que sou maníaco depressivo, byroniano ou bipolar. Mas pra mim, incorporando meu eu-lírico, é muito mais interessante escrever sobre tristeza, sofrimento, melancolia do que sobre florezinhas e estrelas no céu. Estou muito mais pra Wim Wenders do que pra comédia romântica, questão de estilo, só isso.


Claro que sempre vai ser assim, por isso que isso se chama "rede social". Facebook, tuíter, foursquare, e tudo o mais, não foram feitos pra você se libertar das máscaras - embora já esteja provado que o anonimato da internet ajude muito nesse sentido -, mas com seus amigos e conhecidos, você continua a exercer o mesmo falso papel que ocupa na sociedade real. A não ser que você seja um completo sem-noção, aí já ganha o meu respeito, por afinidade.


Por isso que sempre vai ter gente querendo que os outros saibam que ele está jantando no Fasano, sempre vai ter gente querendo mostrar que está sorrindo na frente da Torre Eiffel, sempre vai ter gente querendo que todo mundo saiba que finalmente desencalhou. Mas, na minha modesta opinião, se você estivesse com a Penélope Cruz na cama pronta pro rala-e-rola, tenho certeza de que não ia nem lembrar de pegar o smartphone pra tuitar "Eu e Pepê na cama".