segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Só quem armou o caração pingente nas catedrais dos amores mais pungentes.
Só quem envolveu os corpos mais ocos e se aqueceu no calor das paixões mais loucas.
Só quem teve a maldição de todos os talentos e a benção da placidez de nada ser.
Só quem chorou com os amigos, pelos amigos e para eles, somente.
Só quem perdeu a fé sem precisar encontrar nada em troca.
Só quem reconheceu no olho do filho adorado a hereditariedade da melancolia.
Só quem gosta com a avidez famélica dos náufragos.
E odeia com a preguiça nababesca dos pequenos burgueses. 

Pode encontrar na morte seu merecido descanso. E na vida, seu lucro certo.