terça-feira, 31 de maio de 2011

Dialética (antítese ao poeta)


É claro que a vida é dura
E a apatia, a resposta
mais óbvia
É claro que tu me achas inepto
E em mim maldizes a frieza da humanidade
E como amar é tão complicado
E tenho tudo para ser triste

Mas acontece que eu sou feliz...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Happy Birthday


De que estranha ideia eu nasci, feito pra durar a eternidade temendo a morte, chorar a vida? Que insensato objetivo me compele, senão o que não tenho, o que não vi, o que não posso? Quem me definiu, me projetou pra ser assim, tão perdedor de mim mesmo, tão juiz e tão carrasco?

Que arremedo de personagem é esse que eu sou, que tem coração de donzela sonhadora em alma de madrasta má, involucrados em corpo de ogro? Que herói é esse que não beija nunca a mocinha, não salva o mundo e ainda morre mil vezes antes do final? 

Que demagoga poesia é essa que eu tenho, que devaneia em ebriedade mas é covarde como um funcionário público? Que é mais manqué do que o Nabokov, mais gauche do que o Drummond, mais vencida do que o dos Anjos, neta do carbono e do amoníaco?

Que caminho é esse que eu devo traçar, por onde devo ir e o que devo fazer depois que chegar lá? Quantas velas devo soprar, quantas datas devo comemorar e de quantas vitórias devo me vangloriar? Quantas cicatrizes devo colecionar, quais medos devo conservar e quando devo apostar no amor?

Parabéns pra você. Nesta data querida.