sábado, 19 de março de 2011

Fight Club


Não estou querendo dizer que com todo mundo é assim, e muito menos querendo indicar isso pra ninguém como filosofia, mas a verdade é que sempre achei necessário ter uma certa raiva do mundo. É meio chocante, eu sei, e provavelmente você não vai achar pra vender algum livro de auto-ajuda que o aconselhe a fazer isso pra ter sucesso na vida. Mas pra mim tem funcionado desde sempre e, pra falar a verdade, é uma das características que me define mais categoricamente.

You do not talk about Fight Club.  

Digamos que raiva não seja o termo mais correto, mas eu preciso antagonizar o mundo (não o mundo todo, obviamente, que eu não tenho talento pra psicopata) pra lutar com mais élan, por assim dizer. É como o técnico do boxeador, que antes da peleja esbofeteia seu pupilo para fazê-lo entrar com mais garra no ringue. O cara não começa a luta com raiva do adversário, como eu não tenho raiva de nada em especial, mas parece que dá uma turbinada a mais no garoto.

If someone yells "stop!", goes limp, or taps out, the fight is over. 
 
Se você substituir a palavra "mundo" por "sistema" o texto fica bem mais palatável, mas seria hipocrisia, de qualquer jeito. "Sistema" nada mais é do que o que nós fizemos com o "mundo". Pra mim tanto faz. Cada desafio que a vida me apresenta é um obstáculo a mais pra onde eu quero chegar, e isso me aborrece. E aborrece não por ser o que ele é (um obstáculo), mas por estar onde está (no meu caminho). E aí me vem uma raiva, uma vontade de espezinhar esa barreira, de suplantá-la e humilhá-la. É o meu espinafre.

Only two guys to a fight. One fight at a time, fellas.
 
Alguém vai dizer que não é recomendável pro fígado. Outros podem lembrar que a culpa é do meu sangue quente, herança do Vêneto. Já me disseram que essa imagem de irascível, belicoso, não é boa pra mim. Não sei. Só sei que funciona. E pior: quando não acontece é porque alguma coisa está muito errada. Quando eu perco a vontade de brigar, perco a vontade de viver. Já aconteceu uma vez, e eu não deixo acontecer mais.

The fights are bare knuckle. No shirt, no shoes, no weapons.
 
Claro que não é simples viver nesse fio de navalha. Há que se tomar muito cuidado pra evitar o vão combate, como diria Marguerite Yourcenar, pra não dar porrada em quem não merece. E reconheço que deve ser meio cansativo pra quem está do meu lado. Malcomparando, há horas em que entro de armadura num aniversário de criança. Tem gente que deserta dessa armada. E, no fim, em algum momento, sempre se corre o risco de virar um cavaleiro de triste figura, batalhando contra moinhos de vento.

Fights will go on as long as they have to.
 

Mas, é como eu disse, faz parte de mim, é difícil mudar. Já me tirou de vários fundos-de-poço e hoje em dia eu cuido pra não machucar ninguém mais do que o necessário. Por quê? Achou ruim? Algum problema?

Welcome to Fight Club. If this is your first time, you have to fight.

7 comentários:

Anônimo disse...

É o famoso "monstro" interior que todos nós possuímos.Temamos quem nunca soltou o seu!

Marcelo Faccenda disse...

Não é bem por aí não, pq eu sou assim 100% do tempo, de boa.. Não tem esse negócio de perder o controle não.. :oP

Anônimo disse...

Ahhhhh tá. Desculpa aí, então. Achei que fosse outra pessoa.

lu guedes disse...

eye on the price, eu sempre digo. quem sou eu pra falar qualquer coisa sobre isso aí, mas é impressão minha ou você acabou de quebrar a regra número 1?

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahahaha!!!! Falei só de mim, vai... Não caguetei mais ninguém... :o)

Camila disse...

seja o que for, o nome que der, é o que faz de você o que você é - olha... até rimou, hein!

Marcelo Faccenda disse...

Isso mesmo, Camila... Então eu sou um brigão e vc é uma servente de pedreiro metida a poeta... Kkkkkkkkkkk!!!! :o)