terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lost in Translation*


Acabei de assistir Biutiful do Iñárritu e fiquei encucado com uma coisa, que achei interessante de dividir. Não tem nada a ver com as implicações filosóficas do filme, porque procuro me abster de fazer resenha no blogue, a não ser quando acho absolutamente indispensável. O que me chamou a atenção foi a felicidade de não terem traduzido o título do filme.

De inclinação mais pragmática do que obstinada, nunca me preocupei muito em estudar exaustivamente as línguas. Falo inglês o suficiente pra fazer compras em Nova York e espanhol apenas pra assistir tango em Buenos Aires. Por isso acredito que várias gafes de tradução devem ter-me passado incólumes, principalmente as mais elaboradas, que a galera do Itamaraty costumava discutir nas mesas de boteco.

Mas título de filme e música é um caso à parte. Tá sempre na cara. O sujeito aqui no Brasil pega o filme ou a letra pra traduzir e fica imaginando se a galera, que ele imagina que seja subtancialmente mais imbecil que a do estrangeiro, vai entender a coisa do jeito que está. Aí sempre saem umas pérolas.

Tem aqueles que tentam explicar o filme em uma sentença. Jaws, por exemplo, virou Tubarão. Nada grave, mas acho que se estivese escrito Mandíbulas no cartaz do filme, já daria pra entender. Se o cara quisesse que o filme se chamasse Tubarão, chamaris de Shark, eu imagino. Tem também os epítetos dispensáveis, completando o título original: Pulp Fiction - Tempo de Violência, e JKF - A Pergunta Que Não Quer Calar.

E tem os que simplesmente cagam pro significado original. O verso original de Hey Jude passou de "remember" para "esqueça" na versão do Zambianchi, e o refrão de I'm a Believer dos Monkees, Lulu Santos traduziu como "não acredito". Annie Hall, do Woody Allen, sabe-se lá por que, virou Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. E não é só no Brasil que dá pra encontrar essas bizarrices. Em Portugal, U Turn, do Oliver Stone, é SEM Retorno!

Um amigo meu, esse sim estudioso de quase todos os idiomas do mundo, me confessou uma vez que de todas essas parvoices, as que mais o irritam são aquela traduções em que os caras simplesmente colocam uma palavra qualquer seguida da expressão  "da pesada" ou "do barulho". Os exemplos são quase infinitos: Uma Família da Pesada (Family Guy), Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop), Uma Arma do Barulho (Gotcha), Férias do Barulho (Private Resort), e por aí vai.

Tirando por alguns dos exemplos anteriores, não duvido que Biutiful, se resolvessem traduzir, poderia se transformar em algo como Bunito ou Coisa Marlinda.

* A título de curiosidade, Lost in Translation é o nome de um filme da Sophie Coppola que no Brasil é conhecido como Encontros e Desencontros.

6 comentários:

lu disse...

eu ia adorar entrar no cinema pra assistir coisa marlinda! mas bom mesmo é quando eles estragam a surpresa no filme, tipo "cloverfield - monstro", quando a idéia era só descobrir o que era cloverfield quando você assistisse.

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahahahaha!!! Essa é sem noção mesmo!!! Queria ter lembrado pra por no post... :o)

A menina dona do diário disse...

Belas palavras *-* amei...

Mudei o link do meu blog... atualiza no painel #please ;)
http://daniellymeloescritos.blogspot.com

Marcelo Faccenda disse...

Que bom que vc gostou, meu bem.. Atualizei lá, depois vc confere se eu fiz certinho, ok?

Camila disse...

uma vez, alguém dessa área, de tradução de filmes, eu digo, é porque tem uma pessoa específica pra isso, bom, uma vez, me disseram que há um motivo da troca de títulos. Tipo "airplane" virar "apertem os cintos... o piloto sumiu". Confesso que na hora não entendi patavinas, mas agora eu tenho certeza que é pra preencher todo o cartaz. certeza. já percebeu que a tendencia é aumentar o título? só filme cult, desses que você aprecia tanto, eles não fazem. mesmo assim, ainda saem alguns do woody allen com títulos enormes e estranhos.

beijinhos

Marcelo Faccenda disse...

Cara, por mais que tentem me explicar essas coisas, eu continuo sem entender, só achando engraçado... E eu não aprecio só filme cult, viu? Me convida prum cinema essa hora e a gente vê qualquer coisa... :o)