domingo, 27 de fevereiro de 2011

Deusas e Devassas


Ainda me espanto, quando encontro pessoas que não via há algum tempo, e uma das primeiras coisas que me perguntam é se continuo galinha como sempre. E tem gente que até me cobra quando vou falar de mulher no blogue. É uma das minhas características mais marcantes, pelo que parece. Eu ouço como se fosse estivessem falando de um parente distante, ou de alguém que eu só conheci de nome. Primeiro porque nunca tive currículo de galinha (mas tenho muitos amigos que dariam inveja ao Casanova), depois porque, se alguma vez eu pude ser considerado volúvel em relação às mulheres, esse tempo já passou tem alguns anos.

A verdade é que já fui acusado, na juventude, como todo homem, de machista, manipulador, superficial, mulherengo, misógino, problemático e filho-da-puta uma penca de vezes. Igualmente, já fui exaltado como conquistador, garanhão, Don Juan e boa-vida. Por outro lado, há muitos amigos que acham que estou esperando apenas o tempo certo pra descobrir que, na verdade, meu negócio é homem.

Tive, sim, mulheres (porra, Martinho!) - na mesma medida em que elas me tiveram - brejeiras, bugras, intelectuais, rameiras, messalinas. Tive mulheres sempre que quis. Casadas, virgens, lésbicas, frígidas e crentes. Lusas, mouras, americanas, latinas, orientais e africanas. Mulheres do samba e do rock, do jazz e do tango, assim como, imagino, as teve todo homem. Já viajei entre Lolitas, Bovarys, Capitus e Gildas. Carmens, Ritas, Irenes e Carolinas também já passaram por minhas mãos como mulheres de carne e osso.

Também como todo homem, já conquistei mulheres impossíveis, daquelas que nunca se imagina conseguir. Já perdi meses desejando mulheres fáceis, mas que prefeririam ir pra cama com febre do que comigo. Já desperdicei o tempo e o amor de moças fenomenais, e já sangrei por várias outras, que nem sempre mereceram meu sentimento parco e sofrido. Decepcionei mulheres porque elas achavam que nunca conseguiria deixar de ser libertino, ou porque perceberam que eu não poderia ser tão canalha quanto elas esperavam.

Já imaginei o amor como um jogo de poder e posse, onde valia mais a hierarquia do que a sinceridade. Tive amores desses do estilo Clarice e Sessão da Tarde, e outros amores de Leminski e Elis. Já classifiquei mulheres em números ordinais, mais do que pelo prazer da sua companhia, e fui aprendendo com a experiência a perceber as mulheres muito mais do que a maioria dos homens. Deu pra sacar muito cedo que, mesmo quando acreditei que as colecionava, era eu quem fazia a sua vontade. Aprendi a amá-las pelos detalhes, por coisas que nem elas percebiam que tinham. Hoje me apraz tanto um belo sorriso quanto um lindo traseiro, gosto tanto dos olhos que brilham quanto dos que flertam. 

A vida claro, me deu uma filha, como eu sempre quis, e cuidou para que eu não pudesse viver sem ela, pois meu destino sempre foi ser escravo de uma mulher. E o meu sonho é que, quando a minha pequena crescer (e falta tão pouco), com a beleza da mãe, e os olhos verdes que ela roubou não sei de onde, vai fazer a alegria e o inferno de outros pobres homens. Poucos, se não for pedir muito. E vai ser feliz errando, como foi o pai dela, porque essa é a maldição da minha hereditariedade.

17 comentários:

Camila disse...

do jeito tosco:
DU-VI-DO que vc tenha ludibriado todas essas classes de mulheres.... até eu já peguei mais mulher que vc, Marcelo. Cria vergonha e vai escrever sobre política!!!

do jeito bonitinho:
Eu poderia ter escrito esse texto - no feminino, é claro.


Beijos daqui...

Marcelo Faccenda disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!! Camila, pouca gente pegou mais mulher do que vc... Talvez o Renato Gaúcho e o Gene Simmons... O texto é literatura, não preciaa necessariamente ter a ver comigo, né?

Anônimo disse...

Faltou o Wando na lista.

Anônimo disse...

Ainda acho que seu negócio é homem mesmo.

Marcelo Faccenda disse...

tá fudido, Anônimo!! Eu sei onde vc mora.... Kkkkkkkkkkkkkk!!!!

Mari disse...

Gostei!

Marcelo Faccenda disse...

Vc tá na lista das mulher que preferem a febre, Mari.. :o)

Camila disse...

A Sandy virou devassa...


... o que será que eu virei?!


hahahahaha

Marcelo Faccenda disse...

Pela lógica, vc vai virar a Sandy então!!! Kkkkkkkkk!!!!

Anônimo disse...

São apenas três, meu querido:
- sua eterna amada Gigi;
- Inês, todas essas "bola da vez" e
- eu, quem cuidará de você na amada terra alighieriana.
Bjs.

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahaha!!! Então, nesse cotexto alighieriano, eu devo supor que vc é a minha Beatriz? Bjo!

Anônimo disse...

Bravíssimo!!!!
(...)
Mas que não sirva apenas de inspiração!!!!

Lua disse...

Super lindo o texto. Tenho mania de achar que te conheço um pouco, e do pouco que conheço, essa sua declaração me pareceu verdadeira. até nas vírgulas.
Mas que vc pegou mulher pra car! ah, pegou!

Marcelo Faccenda disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkk!!!! Olha quem ressurgiu das cinzas!! Peguei normal, todo homem tem essa fase... Agora estou esperando aparecer a última que vou pegar na vida... :o)

Manuela do Prado disse...

Esse foi texto de pega ninguem...

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahahah!!! Mas eu sou pega-ninguém.. Além disso, já te disse que só pretendo ter mais uma mulher na vida. (entendeu: hein? hein?)

Manuela do Prado disse...

;)