quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Associação dos Adoradores de Esfinges


" Entre os desejos e as realizações destes, transcorre toda a vida humana" 
Arthur Schopenhauer, patrono da Associação dos Adoradores de Esfinges 

- Bem-vindo à reunião aberta semanal da Associação dos Adoradores de Esfinges. Como todos sabem, essa é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem dos efeitos dessa síndrome tão comum nos dias de hoje. Adorador de esfinges, para quem está conosco pela primeira vez esta noite, é aquele só quer o que não pode ter. Depois, quando o objeto de desejo deixa de ser proibido ou impossível - ou seja quando não há mais esfinge - o interessa acaba e ele se volta pra outra cruzada quixotesca qualquer. Os portadores dessa doença sofrem diuturnamente, pois qualquer acontecimento cotidiando pode se transformar num objeto de calvário. Um adorador de esfinges, em estágio terminal, quer pintar O Nascimento de Vênus, escrever Crime e Castigo, descobrir a cura da solidão. Apaixona-se por atrizes de cinema, musas da literatura, mulheres que passam velozmente nas janelas dos ônibus, que sentam na poltrona ao seu lado no teatro. Um adorador de esfinges quer morar nas highlands escocesas, nos desertos da África, nas neves do Tibet. Quer ficar só quando está entre outras pessoas e chora de solidão quando o telefone não toca à noite. Essas pessoas tendem a ser depressivas e a viver eternamente insatisfeitas. Por essa razão estamos aqui hoje para consolar essas pobres almas atormentadas, não é mesmo, meus amigos? Passaremos agora para o testemunho dos nossos participantes. Alguém quer começar?
 
- Boa noite, meu nome é Marcelo e eu sou um adorador de esfinges...

10 comentários:

Má com acento mesmo disse...

Boa noite, Marcelo.

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahahah!! Vai ter muita gente nessa reunião, pelo jeito...

Patricia disse...

Ah, deixa disso que eu sei que a esfinge te adora. MUAH!

Marcelo Faccenda disse...

Ehehehehe.. Aí não pode, pq senão deixa de ser esfinge e vai pro fim da fila... Beijo!!

alfacinha disse...

uma estranha forma de vida
cumprimentos de Antuérpia

Marcelo Faccenda disse...

Se para pra pensar, alfacinha, nem é tanto. Faz parte da natureza humana, querer sempre mais do que tem. Foi assim que descemos das árvores e nos tornamos o que somos hoje, O lance é achar o equilibrio entre o querer e a alegria pelo já conquistado.

Mari disse...

"Só por hoje não!" =)

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahahhahaha!!! Sempre é bom conversar com que tem experiência! =)

Ju Borges disse...

boa tarde,meu nome é Juliana e sou uma caçadoda de esfinges faz 23 anos...será que esse vício passa?

porque não acho cura..Será que nos,caçadores de esfinges,somente sonhamos com um amor que não existe?um trabalho,uma vida?uma arte?Será que é tudo em vão?

la no fundo..existe o contentamento...eu sei que esse existe também...e continuarei lutando por esse tal sentimento..

quem sabe um dia tenho o prazer de conhece-lo?

Marcelo Faccenda disse...

O eu acho que o contentamento chega com o equilíbrio, afinal é bom ser um pouco decontente, né? Faz a gente andar sempre pra frente... Mas quando vira vício é realmente destrutivo... Beijo!