sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Carpinteiro do universo



Melhor ainda do que fazer algo produtivo, pra mim, é a oportunidade de corrigir pequenos defeitos nas coisas já realizadas. Não que eu saia fazendo isso por aí, que não sou doente. Imagine um cara no ônibus ajeitando a gola da sua camisa, ou colocando a etiqueta pra dentro. Meio freak, né?

Mas se, de repente, eu pudesse sair por aí aperfeiçoando algumas pérolas da arte universal? Seria perfeito, não é?

No fim da década de 1930, por exemplo, eu poderia encontrar o Ari Barroso, em casa, compondo Aquarela do Brasil:

- Porra, Ari! "Meu Brasil brasileiro" vá lá, mas "coqueiro que dá coco"???? E coqueiro vai dar jaca, Ari? Além disso, que diabos quer dizer "merencória"? E "inzoneiro"?

Ou então, conversando com Paulinho da Viola, sobre Foi Demais:

- Paulinho, eu sei que você é gênio, mas "retraçar novamente" fica ruim, cara! O prefixo "re" já significa "de novo", entende? Você nunca leu o Pasquale?

Eu seria odiado pelos artistas, apesar de só querer fazer o bem. E é claro que, eventualmente, eu acabaria passando dos limites:

- Sei não, Pablo. Guernica é um nome feio pra caramba, você não acha? E aquele touro no canto, ali. Tá parecendo a logo do Porcão, Pablito!

E aí eu seria encontrado morto num gueto de Madri, empalado por um pincel manchado com tinta cinza.

14 comentários:

Má com acento mesmo disse...

Ou teria de ser exilado e morar numa ilha paradisíaca: só você e o Bin Laden.

Marcelo Faccenda disse...

Por mim, tudo bem, desde que o Bin Laden não inventasse de ouvir uns funks neuróticos..

Anônimo disse...

Pior seria não ser morto e ter que seguir com o fa(r)do de ser carpinteiro de si mesmo em cada obra do mundo.

Marcelo Faccenda disse...

Seria muito pior mesmo, mas no fim somos todos carpinteiros e nós mesmos...

Patricia disse...

É, se você voltasse no tempo, o termo "licença poética" talvez nem existisse, né? Hahahahahaha! Beijos!

Marcelo Faccenda disse...

Ah, não, Paty!! Até pensei nisso, mas licença poética é "beija eu", "a gente somos inútil"... coqueiro que dá coco é foda... :o) Mas ele pode, o post é pra dizer que eu sou neurótico mesmo...

Camila disse...

e eu pensando em algo altruísta... lá vem ele com besteira, querendo arrumar o que já está perfeito. céus!

Marcelo Faccenda disse...

Ah, tem todo um lado altruísta também, né? Mas não dava um post muito legal. Eheheheheheh!! Quem sabe no futuro... Beijo!

Irene disse...

Adorei!
ah, cê podia aproveitar e voltar um pouquinho mais no tempo, visitar nosso compatriota Osório Duque Estrada... e pedir pra ele ser mais misericordioso com o povo brasileiro. Êta letrinha difícil pra grande maioria de nós...
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante (...)"

Marcelo Faccenda disse...

Ah, Irene, mas puxa vida... Como é que o cara isaber naquela época? Eu acho esse exagero até charmosinho... Eheheheheheh... Beijo!

Anna D'Ávilla disse...

Inteligente, engraçado...
Muito bom!Com licença de me ocupar com seu blog em meio a todo esse tédio!Enquanto não arrumo um cabelo pra aparar ou uma gola pra ajeitar... rsrsrs

Marcelo Faccenda disse...

Valeu pela força, Anna! Fique à vontade pra aparecer quando quiser... ;o)

Irene disse...

O exagero é só mesmo uma brincadeira, porque a gente sabe que o problema não é a dificuldade em entender a letra, e sim a falta de vontade em aprender, mais um exemplo da imensa apatia dos brasileiros para os problemas nacionais (afinal, 1.300.000 votos para um personagem, um palhaço, é no mímino uma piada de mau gosto), e quanto a música em si, não há muito interesse em aprender - basta olhar para a cara dos jogadores, antes do início de uma partida, e ver o tédio estampado nela enquanto tentam cantam o hino (engrançado, mas trágico).
Um beijão de quem te adora!

.:.Joaninha.:. (percy) disse...

mto bem :^)