domingo, 19 de setembro de 2010

Fóssil


Brasília amanheceu hoje envolta em névoa. Quando acordei, pensei que era só neblina e me senti até um pouco aliviado. Quando chove, depois desses meses de seca, me sinto um pouco melhor. Mas - fiquei sabendo depois - era só a fumaça do incêndio no Parque Nacional. As árvores estão em chamas. A cidade está sufocante, eu estou sufocando, e não sei bem se é culpa do fogo. Acordei com a garganta ressecada, mas preocupa-me ainda mais a milha alma. Estou percebendo uma casca estranha, grossa como betume, crescendo à minha volta. Talvez eu já tenha incendiado e seja agora somente um toco carbonizado, um mero resto fossilizado do que já fui um dia. Quando chover - espero - as coisas devem melhorar. Mas dentro de mim é sempre esse deserto...

8 comentários:

Má com acento mesmo disse...

A chuva só chega pra quem se deixa molhar, meu querido.

Marcelo Faccenda disse...

Mas eu deixo, Ma... Adoro ficar molhadinho... Kkkkkkkkkk!!!!

Camila disse...

"Tenho medo desta chuvinha fina que virá depois desses dias de seca.
Me lembra um prefácio daquele
livro que já li e sei que o final é triste pra cacete.
Tenho medo porque eu sei que chove quando
você chora e a chuva virá com certeza.
Daqui, a ela cairá ao contrário,
como se aos céus retornasse.
Desabarei num toró porque esperava muito mais desse alguém que hoje é só lembrança e saudade."

morrer de chuva, afinal, é melhor que morrer de seca?

beijos daqui...

Marcelo Faccenda disse...

Eu gosto da chuva, pq ela lava nossos pecados, nossos erros, nossas mágoas, leva tudo pra terra e purifica, no fim das contas. Mas não é a seca nem a chuva que vai nos matar. É o tempo. Beijos!!

Patricia disse...

O bom é que o fogo só queima o que tá por fora e faz uma casca grossa de proteção. Mas lá dentro, o interior tá tão forte e cheio de promessas quanto antes da casca. Beijos!

Marcelo Faccenda disse...

É verdade, chuhchu... O bom mesmo é sercomo essas árvores do cerrado, que queimam à toa naseca, mas basta uma chuvinha pra colocar tudo verde de novo...Beijo! :o)

lu guedes disse...

se você é mesmo como uma árvore do cerrado, esse período sem chuva e com as queimadas só vai dar uma vida nova pra você. essas cascas é que contam a nossa história :)
beijo

Marcelo Faccenda disse...

Hmmm, vc é sempre visita ilustre, Lu! Mas a idéia é essa mesma, o que não nos mata, fortalece, não é mesmo!! E bora esperar a chuva... :o) Beijo!