segunda-feira, 19 de abril de 2010

A hora da ostra



Que me desculpem os amigos que ligaram, que fizeram aniversário, que vieram de longe e contavam com minha visita. Que me perdoem os amigos que ficaram me esperando ou que esperaram algo de mim, mas a veia estourou novamente. Todas as minhas frustrações profissionais, familiares e afetivas vieram à tona, e, quando isso acontece, tenho consciência de que meu índice de insuportabilidade alcança níveis perigosos. O mínimo que posso fazer pelas pessoas que eu gosto é privá-las da torpe presença do ogro, pelo menos por alguns dias. Chegou a fase da ostra. Quando ela vem, não há Deus, não há ombro amigo, não há luz no fim do túnel que valha, e nem adianta vir com aquele papinho de "desabafa que é bom" ou "sou seu amigo nas horas boas e nas horas ruins". Preciso estar sozinho pra lamber minhas feridas. Me afasto pra morrer isolado, como faria um elefante centenário, porque não existe, afinal de contas, nada tão íntimo como a morte. Morrer, como sofrer aliás, devia ser, por força de lei, um ato reservado, sem platéia.

Mas logo logo eu volto, pronto pra próxima. Preciso somente de uns dias pra recuperar a paciência, colocar a casa em ordem. Sozinho. E quem sabe não seja esse também um dos problemas...

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