sexta-feira, 17 de julho de 2009

Auto do enterrado vivo

Hoje faz um mês que morreu o poetinha Mario Benedetti. O uruguaio faz parte, juntamente com Stacey Kent, Elizabeth Fonseca e outros, do espólio cultural que a bem amada deixou antes de desaparecer por completo da minha vida. São coisas que levarei pra sempre, já postei algumas coisas dele aqui, e ainda me surpreendo em perceber o quanto me identifico com o que ele escreve. Quando fiquei sabendo - alertado pela própria bem amada - que ele tinha morrido, havia comprado seu último livro, Primavera num Espelho Partido, apenas dois dias antes. Num capítulo desse livro, que mistura romance com notas biográficas, achei outro pedaço de texto que expressa um dos maiores medos que trago na vida:

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Como em todas as tardes, chegou a seu apartamento, provavelmente se deitou e só se ficou sabendo dele vários dias depois, quando os colegas de trabalho, estranhando sua ausência, foram bater em sua porta e, ao não obterem resposta, trouxeram a polícia para abri-la.

Estava em sua cama, ainda com vida, mas já sem sentidos. Um derrame tinha provocado uma hemiplegia. Estava naquele estado havia pelo menos três dias. De nada valeram os cuidados intensivos.

A rigor, não morreu de hemiplegia, mas de solidão. Os médicos disseram que, se tivesse sido encontrado a tempo, teria certamente sobrevivido. Quando seus amigos o encontraram, já tinha perdido os sentidos, mas se supões que, pelo menos durante as primeiras vinte e quatro horas, soubesse o que estava ocorrendo.
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9 comentários:

Heliovna disse...

Prometo não te deixar morrer de solidão! ;o)

Marcelo Faccenda disse...

só se tu me apresentar uma esposa..

Heliovna disse...

Ok, vou começar a procurar uma esposa pra ti! ;o)

drinha caeiro disse...

E eu vou ajudar a Helen!!
*Pensa nas amigas de goiânia*
hehehe!!

Marcelo Faccenda disse...

ôpa! tamos aí, já vai fazendo o filme, hein? kkkkkkkkkkkkkkjo!kkk!!! Bei

Má disse...

Feioso querido, morrer de solidão você não vai. Vai acabar morrendo de cirrose hepática ou de hipoglicemia, ou, na pior das hipóteses, de tiro de mulher enciumada. Mas de solidão, meu amor, posso te assegura, morre não.

Lua disse...

Nossa, acho que vivo numa realidade paralela... Não sabia que se tinha ido... Leste A Tregua? Meu coraçào parou por alguns segundos quando o li...

Marcelo Faccenda disse...

Foi o primeiro romance dele que eu li na vida. É de detonar a cabeça...

Celina disse...

e só deixar de lado a solidão como prática esportiva..."tiro de mulher enciumada..."rsrs...gostei disso... :P ... muaaa