domingo, 31 de maio de 2009

Chuva de maio


São três da manhã do dia 30 de maio. Acordo pra dirigir pela cidade, fazer as idéias assentarem, calar as vozes. Está chovendo em Brasília, o que é estranho. As gotas que caem do céu avermelhado compõem um quadro surreal, de certa maneira. A média pluviométrica pra esse mês, desde que eu me lembro, é zero. A cidade está estranha, saindo dos padrões. Não se pode mais dizer o que vai acontecer, nem quando. Há 23 anos, quando cheguei aqui, podia-se arriscar com pouca probabilidade de erro, que nunca choveria em maio. Brasília era previsível. Hoje cada dia é uma surpresa.

Em mim, também chove em maio. Há alguns meses, busco sempre sair dos padrões, procuro ruas novas pra percorrer, gente nova pra conhecer, perdoo quando devia lutar. Agora, me interessam as situações que eu nunca passei, os problemas sem fórmulas pra resolver. A minha média pluviométrica histórica foi zero durante anos. Agora deixo a água da chuva bater e escorrer pela minha alma ressequida. Cada dia é uma surpresa.

Estranha atitude essa nossa, minha e da cidade. Se não soubesse que passamos por uma época de mudanças climáticas bizarras, juraria que Brasília está apaixonada...

7 comentários:

T.F. disse...

vai q brasilia não tá doida mesmo, mas sim apaixonada...
melhor ser otimista. rs

Irene disse...

Fico imaginando os efeitos de toda essa mudança climática no nosso pobre, frágil e já degradado bioma do cerrado. Uma coisa é a chuva demorar para chegar, em setembro, ou quando pior, outubro, sobretudo depois dos vários focos de incêndio que acontecem durante o mês de agosto; a outra, bem diferente, é encharcá-lo com as últimas chuvas de março, abril, e agora.. de maio. Se está apaixonada(?), não é pelo ser humano.
Feliz aniversário, meu querido! Eu não esqueci, apenas estava esperando uma oportunidade para dar os parabéns...
BJS

Irene disse...

Ps. Não faz idéia da saudade que sinto de ti...

Marcelo Faccenda disse...

Tads, não dá pra tirar a tua razão... Vamos torcer pra Brasília estar sempre apaixonada e pra nós encontrarmos sempre quem mereça as nossas chuvas de maio, né? Beijo!

Marcelo Faccenda disse...

Irene, obrigado pela lembrança, tinha certeza de que você não esqueceria... Só penso ao contrário de vc que Brasília, assim como nós, vai pegar esse pobre, frágil e degradado bioma (coração?) e uma hora vai achar quem cuide bem dele e mereça essa beleza... Beijo!

Lua disse...

Genebra vive de paixão em paixão. Nós também. não?

Marcelo Faccenda disse...

Pois é... nos saímos melhor em umas do que outras, né? Beijos, Lua..