domingo, 5 de abril de 2009

O Sono da Razão Produz Monstros

Sou complexo, preciso admitir. Às vezes faço confissões aqui nesse blogue na esperança de que as pessoas se identifiquem e eu descubra que não sou o único surtado nesse mundo. Aproveitando o post de uma amiga, que há alguns dias citou um trecho do livro Encontro Marcado do Fernando Sabino, aproveito pra fazer outra confissão: tenho fobia de algumas obras de arte.

Esse livro do Sabino é um exemplo típico. Li quando estava no terceiro ano, e a sensação de que o homem perdia a vida procurando a si mesmo enquanto o tempo seguia sua marcha inexorável (e que isso aconteceria comigo, inevitavelmente) me deixou tão atordoado que o guardei na estante de casa e prometi nunca mais abri-lo enquanto estivesse vivo.

Vários são os casos que posso citar. As músicas A Lista do Oslwaldo Montenegro e Sinal Fechado do Paulinho da Viola me assustavam por escancarar as pessoas que deixamos pra trás na correria da vida. A gravura O Sono da Razão Produz Monstros, do Goya, que conheci no primeiro semestre da faculdade, e toda obra de Arthur Bispo do Rosário, me inquietaram e provocaram questionamentos sobre minha filosofia de vida, sempore tão sistemática, além de me remeter às minhas noites mal dormidas. Filmes como Em Busca da Felicidade e todos os outros que mostram relações entre pais e filhos me provocam crises de choro homéricas, por razões bem mais óbvias. Ensaio Sobre a Cegueira do Saramago me deixava mal porque era a constatação quase irreversível de que o ser humano, como ente social, é podre.

Mas aí que depois de tudo que ando vivendo, e aproveitando essa fase de questionamentos e reconsiderações, comprei de novo o Ensaio Sobre a Cegueira pra provar pra mim mesmo que meu sentimento pela humanidade mudou, e que não importa quão desprezíveis possam ser nossos atos, sempre somos passíveis de compreensáo e perdão.

Quem sabe, em um futuro breve, depois de ter mais certeza de que a vida segue o curso para o qual é definida, sem tanta interferência nossa, eu possa voltar a ler os livros e ouvir as músicas de que me privei pelo medo de não saber viver...

7 comentários:

Bel Lucyk disse...

Marcelito,
nao li Ensaio Sobre a Cegueira, porque meu exemplar mora no carro da Xulis há um ano... mas vi o filme há alguns dias... fiquei angustiada...
qto ao Sabino, li pela primeira vez o encontro marcado na época de escola e reli ano passado porque me identifiquei demais com o personagem. Mas diferente da reação que você teve, eu me sinto próxima demais do livro... e volta e meia dou uma olhada em algumas passagens, simplesmente porque eu gosto e me faz bem.
PS -uiiiii, olha meu blog inspirando o seu! kkkkkkk Beijos

Marcelo Faccenda disse...

Pois é... Eu não quis ver o filme sem reler o livro antes. O livro do Sabino pode ser o próximo mesmo. E é lógico que eu sempre me inspiro em vc, sou seu fã!!! Beijos...

Lu Guedes disse...

o que me leva a pensar, o quanto nos privamos de nós mesmos por esses medos.

alguns livros ainda me dão calafrios só de lembrar. já tentei me esconder na matemática, mas não dá pra viver assim!

beijo!

Anônimo disse...

Não sou tão complexa quanto você, mas varro pra debaixo do tapete tudo aquilo que se aproxime dos meus medos e inseguranças,filmes,livros,musicas, ficam lá escondidos esperando que um dia eu tenha coragem de encara-los de frente,sem desabar em prantos... bjs

Marcelo Faccenda disse...

Complexo, eu? Tou mais pra reclamão mesmo... Mas é bom saber que nós dividimos alguns medos, complexos ou neuras com os outros seres humanos... Beijos, anônima.

Madame Mim disse...

O que mais me atriu nos blogs que frquento foi a identificação. Tem dias em que penso algo, vou xeretar e acho um post que tem tudo a ver com o que estou vivendo.
Gostei dos seus textos. Me identifiquei com muita coisa.
No meu blog, não escrevo coisas muito íntimas, de modo tão aberto como tu escreve.
Mas olha, guri, tu não é complexo, nem doido sozinho.E certeza que muita gentes se identifica.

Aliás, li em algum dos post que tu perdeu um amor.
Perdi um dos amores da minha vida em um acidente estúpido. Faz muito tempo.
Lembrei dele qdo li.

Anônimo disse...

Ao cara vei! Todo sismadão. Entendi nada que tu falo.