sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

It's the end of the world as we know it (and I feel fine)

E aí um dia eu acordei e percebi que o mundo era uma merda. As crianças morriam de fome na África, e o mundo estava mergulhado em uma das maiores crises de sua história, causada unicamente pela ganância de alguns. Olhei no jornal e os filhos estavam matando os pais, os pais estavam prostituindo os próprios pequenos pra ter algo de comer. Na televisão, o país estava indo à bancarrota por culpa dos políticos corruptos e as pessoas estavam cada vez mais analfabetas, para continuar votando nos mesmos escroques.

E aí um dia eu acordei e percebi que o mundo não era uma merda: ele continuava a mesma merda. Algumas pessoas continuavam estragando seus dias por causa de brigas no trânsito, outras continuavam estragando suas famílias em nome do trabalho. Pessoas continuavam explodindo pessoas em nome de causas imbecis e o ser humano continuava destruindo o próprio planeta em nome do desenvolvimento. Todo mundo continuava imbecil, egoísta, insensível, ignorante, mesquinho, detestável, medroso e inepto, como sempre.

E aí eu acordei outro dia e descobri que o mundo não era uma merda: era só o mundo de sempre. Que as pessoas não eram más ou boas: eram só pessoas. Que está tudo indo pro brejo, mas tem gente sempre tentando melhorar. Que enquanto uns matam e se matam, outros vivem pra cuidar uns dos outros. Descobri que é mais fácil desprezar o mundo inteiro e construir uma fortaleza pra se defender do que enfrentar de peito aberto esse mar de incertezas que é o ser humano. Que todo mundo tem seu ritmo e suas limitações e que é difícil conviver com elas. Mas é ainda mais difícil conviver com os defeitos alheios.

E aí, quando eu acordei, foi que eu comecei a viver. E comecei a notar que o mesmo ser humano que incomoda pela sua burrice, é o que maravilha pela sua sabedoria. O mesmo cara que manipula os semelhantes, é o que estende a mão pra um amigo em dificuldade, que cuida da família. E aí fica difícil não tentar compreender e perdoar os erros das pessoas. Não procurar saber o que levou aquele cara a cometer aquele erro. E tentar ver que poderia ser diferente por algum motivo alheio à nossa compreensão. E aí Sartre que me perdoe, mas quando a gente acorda pro mundo, dá pra transformar os outros de inferno em paraíso. Enquanto durar o mundo, pelo menos...

2 comentários:

Bel Lucyk disse...

"Mas é claro que o sol, vai voltar a brilhaaaaar...."
Oba. Adoro quando começo a ver uma pontinha otimista em vc! Como foi de carnaval, querido? Beijos

Marcelo Faccenda disse...

O Carnaval foi bom, mas nem tanto quanto o seu, pelo jeito!!! Estou bem mais otimista e mais resolvido também... Só preciso resolver o problema da vodca, mas logo logo vou estar 100%...
:o)