domingo, 1 de fevereiro de 2009

A arte de (re)construir castelos

Era sempre à noite, quando nossos pais saíam e fazia muito frio pra brincar no porão. Então, meu irmão e eu, juntávamos as cadeiras da sala de jantar no gande living da casa velha (não tão velha na época) e organizávamo-nas em duas fileiras de três, viradas de costas umas para as outras, guardando um espaço suficiente para que coubésemos dentro. Depois era só jogar o enorme cobertor de pêlos da nossa mãe por cima e tínhamos pronta nossa cabana. Cabana, aliás, que virava castelo, barraca, forte, casa, quartel-general, entre outas coisas. Depois era só entulhar o interior com travesseiros, lençóis, brinquedos, e estávamos prontos pra qualquer aventura, geralmente liderados pela mente extremamente criativa do meu irmão. Não raro, brincávamos até a exaustão e dormíamos no living mesmo, na proteção do nosso castelo.

Essa é uma das lembranças mais gostosas da minha infância. Infelizmente, a adolescência, a distância e as inconstâncias do meu processo de endurecimento, acabaram afastando-me paulatinamente do convívio tão gostoso que meu irmão me proporcionava, como fizeram, aliás, com toda a minha família.

Nessas últimas férias, tivemos oportunidade de reconstruir nossos castelos, se não com cadeiras, com camaradagem e muito carinho. E com o cimento que a nossa filha/afilhada proporciona, lógico. Os dias de viagem na terra de nossa vó, na praia, na nossa cidade natal, e em todos os outros lugares que ele fez questão de nos levar, foram criando laços ainda mais fortes que os fraternais, que são justos, mas arbitrários.

Esse cara que eu sempre critiquei por ser desleixado, esse cara cuja falta de ambição sempre me incomodou, esse cara de quem eu me afastei porque me parecia uma pessoa completamente fora do meu mundo, tem uma energia de menino que era o que eu precisava pra recarregar as minhas baterias e me livrar de minha armadura de guerreiro louco cansado. Esse menino tão imperfeito que anda sempre sorrindo, que tem poucos problemas e que não julga ninguém, acabou me servido de mentor, de líder espiritual, inconscientemente. O que eu ando precisando agora é isso: menos certeza, menos perfeição, menos crítica, mais alegria. E do meu irmão sempre presente.

7 comentários:

Bel Lucyk disse...

Marcelito! Que delícia!
Primeiro, deveria ser mto divertido mesmo, né? Tenho lembranças fantásticas da minha infância. E, que bom que você está tendo a oportunidade de se reconstruir. E, melhor ainda, fazer isso com o apoio da sua família! beijos

Marcelo Faccenda disse...

Pois é, Bel! E agora, como estou longe deles, pelo menos posso contar com meus "irmãos" aqui de Brasília, né? Beijo!

Má com acento mesmo disse...

E aí, tche? Voltaste com o sotaque trilegal, bah?

Marcelo Faccenda disse...

Peguei um baita sotaque, mas perdi assim que botei o pé em Brasília... ehehehehhe!!!! Bemvinda de volta ao mundo virtual, btw!

PeNsAdO, DiTo E eScRito PoR Giovanna disse...

Ver estas histórias da infância de meu pai, é muito gostoso :) Meol pai sabe fazer as pessoas c sentirem melhor... ...Pelo menos eol ele consegue me fazer sentir-me melhor

PeNsAdO, DiTo E eScRito PoR Giovanna disse...

♥ Papai ♥

Marcelo Faccenda disse...

Afe.. Assim vc mata o seu papai do coração.. Te amo muito, filhota!!!!