sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Impressões do sul

  • No sul, todo produto de consumo tem uma marca que é de lá e que é melhor (ou vende mais) do que as outras já consagradas no Brasil. Cerveja é Polar, tubaína é Fruki, laticínio é Piá, e por aí vai...

  • As cidades têm nomes esquisitíssimos e muito engraçados, como Feliz, Encantado, Não-Me-Toque, Anta Gorda, Bolacha, Sério, Fundo do Formigueiro, etc...

  • Falando em cidades, todas são capital nacional de alguma coisa: do chimarrão (Venâncio Aires), da mentira (Nova Brescia), do doce (Pelotas), do espumante (Garibaldi). Minha cidade, Bento Gonçalves, é a capital nacional da uva e do vinho.

  • Afora os regionalismos mais conhecidos, como tchê, barbaridade, e aquelas outras coisas estranhas, na minha região natal tem umas expressões de matar: se "embugar" de comida (se empanturrar), "tunda de laço" ou "camaçada de pau" (surra), ficar "gelo" (tranquilizar-se), "guampa" (chifre). Se alguém te perguntar se aquela guria que você namorava "deu pra ti", ele está querendo saber se vocês terminaram. Se você contar uma história surpreendente, provavelmente a outra pessoa vai responder: "Capaz?" (Sério?).

  • Nas boates de lá, logo depois de tocar os funks mais asquerosos ou os houses mais psicodélicos, é provável que você comece a escutar uma música que nunca ouviu, de uma banda que só os gaúchos conhecem. quando você olha pra alguém pedindo ajuda, do tipo: "que caray é isso?" percebe que a casa inteira está cantando junto, como se fosse o hino nacional. As mais comuns de acontecer isso são "Amigo Punk", do Graforréia Xilarmônica (valeu, Helen!), e "Entra Nessa", do TNT. Mas tem outras bandas como Papas na Língua, Cidadão Quem, Acústicos & Valvulados, Tequila Baby, entre outras tão esdrúxulas.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Desfazer as malas

Sensação estranha essa de voltar pra casa depois de tanto tempo ausente. Está tudo no lugar, a cama impecável, os lençóis esticadinhos, o piso asséptico, as cortinas cerradas, graças às camareiras. Parece que não mora ninguém aqui, ou, se morava, morreu. Mas eu estou aqui, bem vivo, com uma sensação de ter nascido há bem pouco tempo.

Sinto falta da família, da quentura de ter pessoas do lado. De beber com meu pai, abraçar meu irmão, brincar com minha filha, gargalhar com os primos. Estou bem vivo, graças à minha família e aos amigos.

Preciso dormir, bagunçar a cama, fazer um lanche, sujar a pia. Vou espalhar essa vida que acumulei dentro de mim nesse apartamento, tentar fazer desse pequeno mausoléu meu cantinho de verdade. E aprender a conviver com o que era meu e agora parece não me pertencer mais...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fala com a minha mão


Pai: ... e é por isso que você não deve ser desorganizada, deve sempre arrumar as suas coisas e respeitar muito seus pais, entendeu?

Filha: Entendi sim, papai.

Pai: Você já é uma moça e tem que dar uma força pra mamãe, que trabalha muito e cuida de você sozinha. Mas pra isso, você não pode ser muito bagunceira e tem que prestar muita atenção no que seus pais dizem, ok?

Filha: Pode deixar, papai.

Padrinho maldito: Gigi!! Corre aqui, vamos fazer bagunça!!!

Filha: Ok, papai. Foi muito bom conversar com você, mas agora segura as minhas coisas que eu vou ali bagunçar com o Dindo...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Onde estão meus cadernos antigos?

Eu não rabiscava mais as páginas dos meus cadernos. Ando analisando tudo que mudou na minha vida, pra tentar descobrir onde joguei fora a minha alegria, e uma das coisas que mais me perturbaram em descobrir foi isso: em algum momento, eu parei de desenhar nas páginas dos meus cadernos.

Parece meio idiota, confesso, mas isso tem razão de me perturbar. Primeiro porque todo mundo que eu conheço risca as mais insondáveis garatujas nas margens (ou nas últimas páginas) dos cadernos, blocos de anotações, post-its, etc. É da natureza do ser humano, principalmente nessas horas em que ficamos em certo estado de letargia, como quando estamos no telefone ou assistindo alguma aula ou palestra, por exemplo.

Depois - às vezes eu esqueço - eu sou arquiteto, caceta! Não devia gostar das coisas tão organizadas (que isso é coisa de engenheiro), devia desenhar croquis maravilhosos em guardanapos de boteco, rascunhar pequenos esquemas em comprovantes de cartão de débito, etc. Pelo menos de acordo com as histórias que me contaram na faculdade.

Mas o fato é que até um tempo atrás, essa desorganização me incomodava. Mais espontaneidade do que caos, hoje me é mais fácil perceber. Só rabiscava alguma coisa se tivesse a garantia velada de que jogaria o papel fora mais tarde. Quando via palavras, desenhos, símbolos, linhas se amontoando em algum papel alheio, meu primeiro desejo era apagar o desnecessário, e enfileirar o que restasse enm algum tipo de seqüência lógica. Claro que esse era só um desejo, não estou aqui pra confessar que sou psicótico.

Lembro de ter lido nas páginas de uma gramática antiga (que rabisquei impiedosamente), um poemeto, acho que do Mário do Quintana, que dizia que os livros deveriam ter margens espaçosas, onde as crianças pudessem desenhar, e os seus desenhos pudessem passar a fazer parte dos poemas. Então, quando penso que não rabisco mais nos meus livros, que não tomo café na varanda, que não jogo video-game, que não ligo mais pra minha família, me vem logo à cabeça essa idéia de que matei minha criança por falta de alegria. Meu menino morreu esperando autorização pra brincar no sol. Pra entrar na piscina depois do almoço. Pra comer manga com leite.

Ou quem sabe está num coma muito profundo, mas reversível. Congelado num iceberg de arrogância e autodefesa. Na dúvida, vou passar a riscar mais meus papéis, a abraçar mais meus amigos, a brincar mais e me importar menos em controlar as coisas. Vou tirar o moleque da sombra, tentar administrar alegria ao pobre coitado.

Em doses cavalares, porque ele deve estar precisando muito.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Pra Paty

Pra minha queridíssima amiga Patrícia, uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos tempos, agradecendo pelo voto de confiança e pela sinceridade, na época em que eu mais precisava muito dos dois....