segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Procura-se


A galera que trabalha no meu flat me acha a pessoa mais simpática do mundo. O pessoal do meu trabalho acha que eu mordo. Meus funcionários não entendem muito bem com um ser humano tão irresponsável virou chefe. Quem me vê de longe acha que sou viado. Quem me vê de perto acha que falta pouco. Meu sócio e irmão adotivo acha que sou mau como o diabo. Quem bebe comigo acha que sou rico. A gerente do meu banco acha que sou louco.

Minha filha acha que sou hipercarinhoso. A mãe dela acha que sou confuso. Minha afilhada acha que sou um super-herói. A mãe dela acha que fez um negócio arriscado me colocando de padrinho. Meu irmão acha que vou dar certo. Meu pai acha que estou cumprindo bem o meu papel. Minha vó e minha madrinha acham que sou uma fofura. Minha mãe acha que sou o cão. A mulher que amo acha que vou fazê-la sofrer. As mulheres que não amei tanto não acreditam que estou amando agora.

Eu acho que sou, e isso basta. O que sou, ainda não sei. Acho que não quero morrer num apartamento escuro sozinho, mastigado pelo meu cachorro famélico. Acho que sou feliz, mas nem sempre. Acho que me esforço pra fazer o certo, mas nem sempre. E espero chegar em algum lugar, mas nem tanto. Enquanto isso vou me procurando, que é mais divertido do que me achar. E se eu chegar muito perto, fujo.