domingo, 7 de setembro de 2008

I think it's broken...

Então é serio? É verdade isso? Wilde tinha razão, no fim das contas? Todo homem mata as coisas que ama? E as coisas que já nascem mortas? Ou que permanecem exangues, à espera do último suspiro? Se for assim, é de culpa, revolta ou resignação que eu choro agora?

Será que fiz tudo pra manter essa coisa viva? Será que era necessário fazer exatamente o contrário: me afastar pra ver florescer? Matei o meu amor por excesso de amar?

Por que me disseram que o que tiver de ser será? Por que inventaram que tudo dá certo no final? Por que as pessoas insistem que a gente deve manter o sorriso depois de se arrebentar tão clamorosamente contra o muro?

Acho que matei meu amor. Fiz tudo que achava certo e isso só piorou as coisas. E não posso nem me consolar pensando que tentei. Hoje não.

5 comentários:

Camilinha disse...

ai que triteza, marcelinho! outro dia li assim:
" Deste discurso se segue uma conclusão tão certa como ignorada, e é que os homens não amam aquilo cuidam que amam. Por que? Ou porque o que amam não é o que cuidam, ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima, e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmaeza, e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angelicais, e amais imperfeições humanas. Logo, os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há, porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina e não é, não o há no mundo." (padre antonio vieira)


e de que jeito vc amou esse teu amor morto?


beijos daqui...

Lu Guedes disse...

tudo que é demais estraga. mas o pior é quando se torna veneno pra gente mesmo. pior de tudo, é morrer pelo sentimento que mais faz a gente se sentir vivo.

é bobo, mas uma vez ouvi que "é melhor partir antes do último grão cair". será que é mesmo? porque acho que a gnete só se convence quando não resta mais nada.

beijos!

Bel Lucyk disse...

Querido, se vc acha mesmo que nao dá pra reverter a situaçao, se permite viver essa dor até esgotá-la. Depois, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
Mas, principalmente, respeite seu tempo para tudo isso, viu?
beijos e fique bem.

drinha caeiro disse...

Se eu tivesse aí a gente saía pra almoçar e conversar sobre isso, e reclamar da vida, e rir das nossas humanidades tolas. Já que eu não estou aí, só posso torcer que vc fique bem. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca. Às vezes sara amanhã.
Saudades das maldadinhas.

Irene disse...

Ah, Marcelo, Marcelo, meu lindo anjo!
Tentei, tentei, mas não consegui resistir. Seu texto seria cômico se não fosse trágico.
Tenho que confessar, tinha começado a estudar a vida de Machado de Assis, porque estranhamente ele me fazia lembrar você (ou vc me fez lembrar o pouco que eu sabia dele). E também Lima Barreto, mas essa já é outra história, porque tem a ver com a forma roteiristica como dispôs o post sobre sua Carolina - e poderemos/ríamos falar sobre isso algum dia.
Mas voltando, em Memórias Póstumas de Brás Cubas (para mim sentimentos auto-biográficos), Machado se dirige diretamente ao leitor (no capítulo LXXI):
(...)
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho o que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro , traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devargar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, ecorregam e caem...

As semelhanças entre a forma que tens de sentir a vida, o mundo, as pessoas e tua própria razão e o mundo machadiano em sua obra e vida é surpreendente.
Muitos beijos.