sábado, 28 de junho de 2008

Coleções


Vai viajar? Divirta-se. Não esqueça dos meus presentes. É fácil achar algo que me agrade, e saiba que prefiro pequenas lembranças. Coleciono várias coisas. Canecas, sachês de açúcar, beer coasters, selos, havaianas, e outras tralhas.
Já colecionei moedas, cédulas, soccer cards, guardanapos com telefones de mulher. E mulheres, inclusive. Já juntei revistas de modelos nuas e gibis de super-heróis. Colecionei decepções de adolescência por um bom tempo, assim como algumas alegrias de infância. Deixei de colecionar erros porque, embora os tenha em quantidade, não consigo classificá-los e apenas os mantenho embaixo da cama, longe da vista das visitas.
Hoje coleciono histórias. E realizações. Amizades também, que guardo em grandes redomas dentro do coração, mas que mesmo assim acabam esmaecendo com o tempo. Amores, até gostaria, mas são tão poucos e , na verdade, não sei bem o que fazer com eles. Acabaria expondo-os como grandes troféus feitos de cabeças de animais mortos em minha sala de estar, perto da lareira.
Agora minha ambição é colecionar momentos. Não quaisquer momentos. Só os que tiver que passar ao seu lado. Já tenho muitos: noites perfeitas, discussões homéricas, músicas lindas, viagens inesquecíveis, planos audaciosos. Mas separei um pedaço tão grande mim pra catalogá-los que imagino que serão necessários muitos anos para que eu possa considerar essa coleção completa.
Ainda tenho páginas e páginas em branco esperando nossas fotos. Pilhas de CDs e DVDs virgens, pra se encherem com nossas canções e filmes prediletos. Estantes repletas de guias de viagem, detalhando cada lugar que ainda não conhecemos. Livros que ainda não lemos, comidas que ainda não provamos. Lágrimas, olhares e gargalhadas, prontos pra você. E um coração, ligeiramente empoeirado pela falta de uso, mas cheio de boas intenções e com um castelo enorme, erigido nas nuvens, extremamente espaçoso e confortável, preparado pra quando você resolver se mudar de mala e cuia pra dentro de mim. De uma vez por todas.

8 comentários:

IRENE disse...

Caramba!...pensei que tinha abandonado a gente! Já tinha comprado até uma caixa de veneno, "que se não mata, engorda": de chocolate, tamanho o desespero. E correndo o risco de voltar a ficar gorda. Também estou lendo GGM, mas Cem Anos de Solidão. Podemos trocar livros? Ainda estou fazendo provas, mas já tenho 23 para as férias (só dois de Direito, mas que não abro mão!). Gostei do blog do Alex...Ele é seu amigo? Um milhão de beijos.

Marcelo Faccenda disse...

Pois é.. Fiz umas bobagens nas configurações do outro blogue e aproveitei que ia ter que começar tudo de novo pra mudar pra cá... Os livros podemos trocar sim, mas Cem Anos de Solidão eu já li. Tenho vários García Marquez bons, outros nem tanto, depois você escolhe. O Alex é um conhecido, acabamos descobrindo que trabalhamos no Itamaraty na mesma época... Beijo!

.Intense. disse...

Eu ia dizer 'que lindo', mas é muito clichê. Então é melhor, pra começo de conversa, contar que cheguei aqui pela Camilinha, em algum dos blogs dela. Não necessariamente aqui, mas acabei vindo conhecer sua 'casa nova'.rs

Gostei mto do texto, e pensei nas minhas coleções. Descobri que não sou anormal por não colecionar amores, nem por não conseguir catalogar meus erros. Ainda não construi meu castelo - estou em fase de reconstrução própria, e acho que o castelo vem depois. E indiquei pros leitores do Excesso Intenso.

Terminei de ler o livro do Kundera recente - gostei razoável. Mas depois me diz se o do GGM é bom, dele já foram dois e adorei. Quem sabe mais um?

Parabéns pelo texto e boa sorte na nova casa.

Beijos intensos.

Irene disse...

Não precisa ser só do Garcia Marquez... Gosto de muitos outros autores e obras. Gostaria muito de bisbilhotar a sua estante, e também sua adega.... (rzrzrz).. e testar outro que tb estou lendo, só para ver se funciona, Kama Sutra para o homem - Como enlouquecê-lo... Hei, eu não sou oferecida! Mas depois do último abraço que vc me deu, perdi a noção de compostura...

Marcelo Faccenda disse...

É legal descobrir que nossas pequenas neuroses não exclusividades nossas, Intense.. Isso é uma das características mais terapêuticas de se fazer blogue, né? Li algumas coisas que vc escreveu, fiquei bem impressionado e te adicionei na minha lista de links, ok? E valeu pela indicação no seu blogue tb! Bjos!

Patricia disse...

você coleciona coleções, xuxu!

Marcelo Faccenda disse...

Ahahahaha!!! Não deixa de ser verdade... Mas sou instável, algumas das minhas coleções mal começam e logo terminam... Beijo!

Irene disse...

Subi no pé de feijão e encontrei seu castelo lá nas nuvens.
É realmente grande, você também,
que parecia estar dormindo, mas como não pude te acordar, resolvi voltar outra hora.
Tenho uma mensagem para vc lá no meu blog (no post do dia 30). Bjo.